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O Movimento Feminista no Brasil Em 1906, o Rio de Janeiro sediou o I Congresso Operário Brasileiro, no qual ficou estabelecida a necessidade de maior organização das mulheres em sindicatos. No ano seguinte, uma greve das costureiras deflagrou uma série de movimentos em favor da jornada de trabalho de 8 horas, e em 1917 as mulheres ganharam o direito de ingressar no serviço público. Em 1919, a Conferência do Conselho Feminino da OIT aprovou o salário igual para trabalho igual, destacando-se a participação de duas brasileiras no evento: Bertha Lutz e Olga de Paiva Meira. Em 1920, as mulheres chegam ao movimento sindical. Em 1933, Carlota Pereira Queiróz torna-se a primeira deputada brasileira; um ano mais tarde, a Assembléia Constituinte assegurava o princípio da igualdade entre os sexos, o direito ao voto feminino, a regulamentação do trabalho feminino e a equiparação salarial entre homens e mulheres. A repressão desencadeada pelo Estado Novo em 1937 provoca um refluxo no movimento feminista que só volta a ganhar intensidade em 1949, no Rio de Janeiro, com a criação da Federação de Mulheres do Brasil. Na década de 50, a mulher marca presença efetiva nos movimentos políticos. Devido ao Golpe de 64 e à repressão militar, só na década de 70 é que se retoma o processo de reorganização dos movimentos feministas no país. É, entretanto, num momento específico - a luta pela anistia - que sua presença na esfera pública é mais significativa. Em 1975, cria-se em São Paulo o Movimento Feminino pela Anistia e ainda naquele ano, Ano Internacional da Mulher, é promovida no Rio de Janeiro, por um grupo de mulheres, com apoio da ONU e da ABI, uma semana de debates sobre a condição feminina. A raiz deste encontro foi afundação do Centro da Mulher Brasileira, no Rio de Janeiro e em São Paulo, que constitui um marco de atuação de uma organização especificamente feminista. Em 1977 é aprovada a lei do divórcio. Com os anos 80 eclodiram os movimentos que se espalham pelo país e que tinham como bandeira o tema "violência contra a mulher". A mulher se engaja definitivamente na política. Em 1985, conquistam a criação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. No ano seguinte, 26 mulheres se elegem deputadas constituintes e têm atuação marcante na defesa dos direitos reprodutivos e no combate à violência contra a mulher, numa atuação que ficou conhecida como "lobby do batom". Foi também nessa época que o movimento feminista passou a defender o princípio de que mulheres e homens são diferentes mas não desiguais. Nos anos 90 se aprofundam os debates sobre o movimento feminista e são criadas redes temáticas como a Rede Nacional de Direitos Reprodutivos. Também é a partir desta década que se aprofundaram as discussões sobre gênero, "um conceito que se refere a um conjunto de papéis e relações entre mulheres e homens, determinados pelo contexto social, cultural, político e econômico." O
feminismo se constrói, portanto, a partir das resistências,
derrotas e conquistas que compõem a História da Mulher e
se coloca como um movimento vivo, cujas lutas e estratégias estão
em permanente processo de re-criação. Na busca da superação
das relações hierárquicas entre homens e mulheres,
alinha-se a todos os movimentos que lutam contra as diferentes formas
de discriminação. |